Pesadelo
Esta noite tive um pesadelo. Um pesadelo terrível.
No pesadelo, quando me levanto da cama e me vejo ao espelho descubro... que sou preto. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver a minha foto no BI, para ver se também na foto sou daquela cor, e acho o passaporte, e descubro... que sou espanhol.
Não pode ser, meu Deus.
Sento-me inconsolável numa cadeira.
Porra, mas é uma cadeira de rodas, o que significa que além de ser negro e espanhol sou também deficiente físico!
É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja negro, espanhol e deficiente físico...
"Pois é verdade!", grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado. Cacete! Também sou homossexual.
Bom, nessa desgraça toda, desde que se faça sexo seguro, sabem, com essa história da sida... "Viste a minha seringa?"
Ó Deus! Negro, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente e seropositivo! Desesperado começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos e...
Não! Sou careca!
Toca o telefone. É meu irmão: desde que a mãe e o pai morreram tu só fazes é meter drogas e vagabundear o dia inteiro! Procura um emprego, arranja algum trabalho!"
Sou também desempregado.
Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é preto, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente, seropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque ... Porque sou mudo.
Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e, com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Há milhões de barracas ao meu redor. Sinto uma punhalada no pacemaker: além de preto, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente, seropositivo, careca, órfão, mudo, maneta e cardíaco, vivo nas barracas.
Nesse momento volta o meu namorado e diz: "Amor, perdemos outra vez... mais 1 derrota".
No pesadelo, quando me levanto da cama e me vejo ao espelho descubro... que sou preto. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver a minha foto no BI, para ver se também na foto sou daquela cor, e acho o passaporte, e descubro... que sou espanhol.
Não pode ser, meu Deus.
Sento-me inconsolável numa cadeira.
Porra, mas é uma cadeira de rodas, o que significa que além de ser negro e espanhol sou também deficiente físico!
É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja negro, espanhol e deficiente físico...
"Pois é verdade!", grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado. Cacete! Também sou homossexual.
Bom, nessa desgraça toda, desde que se faça sexo seguro, sabem, com essa história da sida... "Viste a minha seringa?"
Ó Deus! Negro, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente e seropositivo! Desesperado começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos e...
Não! Sou careca!
Toca o telefone. É meu irmão: desde que a mãe e o pai morreram tu só fazes é meter drogas e vagabundear o dia inteiro! Procura um emprego, arranja algum trabalho!"
Sou também desempregado.
Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é preto, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente, seropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque ... Porque sou mudo.
Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e, com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Há milhões de barracas ao meu redor. Sinto uma punhalada no pacemaker: além de preto, espanhol, deficiente físico, homossexual, toxicodependente, seropositivo, careca, órfão, mudo, maneta e cardíaco, vivo nas barracas.
Nesse momento volta o meu namorado e diz: "Amor, perdemos outra vez... mais 1 derrota".
Não...não pode ser... sou do BENFICA! NÃOOOOOOOOOOOOOO!!!


